MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA FAZ 15 ANOS EM CONTAGEM REGRESSIVA PARA REABRIR AS PORTAS


O espaço, em São Paulo, passou cerca de um terço da existência fechado por causa de um incêndio em 2015. A retomada das exposições, agora, depende da pandemia de Covid-19.

Museu da Língua Portuguesa passou por restauração após incêndio. Foto: Ana Mello/Divulgação (Crédito: )

Neste 20 de março de 2021, o Museu da Língua Portuguesa, no centro da cidade de São Paulo, completa 15 anos em contagem regressiva para a reabertura das portas ao público. O local, que foi palco de 30 exposições temporárias e já recebeu quase quatro milhões de visitantes, passou cerca de um terço dos anos de existência com as portas fechadas. Agora, está pronto para receber o público novamente, mas depende do arrefecimento da pandemia de coronavírus.


Em 21 dezembro de 2015, um defeito em um holofote causou um incêndio, que destruiu parcialmente a estrutura do edifício. O fogo começou por volta das 4 horas da tarde. Depois de duas horas e meia, havia destruído o segundo e o terceiro andares do museu. O bombeiro civil Ronaldo Pereira, de 39 anos, que trabalhava no prédio, morreu.

Começou, então, um processo de restauro que envolveu o governo do estado e a Fundação Roberto Marinho, que são responsáveis pelo projeto, além da iniciativa privada. O investimento foi de R$ 84 milhões, conforme explica o secretário de Cultura e Economia Criativa do estado, Sérgio Sá Leitão: “Foi feito um grande investimento para que o museu fosse não apenas restaurado, mas também ampliado, e tivesse seu conteúdo renovado em cerca de 80%.”

A expectativa era de que o público pudesse voltar ao edifício para as comemorações de 15 anos do museu, mas a pandemia adiou a reabertura para 17 de julho. Nesse período, a organização aproveita para fazer os ajustes finais.

Larissa Graça é gerente de Patrimônio e Cultura da Fundação Roberto Marinho e acompanha a obra de perto. Ela conta como está o museu hoje: “Quem entra lá tem a percepção de que o museu está finalizado. A gente que é muito detalhista. Tem aqueles, ajustes finos de detalhes que no final das contas fazem toda a diferença. Mas, não temos intervenção de obra ou museografia. Essas são etapas que já estão vencidas. A gente está muito perto de uns 98%.”

O incêndio destruiu boa parte dos equipamentos que tornavam o museu tecnológico. Os novos aparelhos devem garantir nova vida útil de ao menos 10 anos ao local.

Além disso, um grupo de estudiosos aproveitou para reformular o conteúdo do museu. O doutor em linguística Eduardo Calbucci conheceu o museu como visitante. Passou a colaborar com o núcleo educativo. Mais recentemente, foi convidado a fazer parte do grupo que revisou o acervo permanente. Ele conta o que podemos esperar na reabertura: “Existe aquela máxima que diz que ‘em time que está ganhando não se mexe’ e o museu era vitorioso. A relação entre o Brasil e os outros países da lusofonia, isso foi valorizado. O museu vai trazer agora uma reflexão sobre os múltiplos falares do português brasileiro. Uma língua é viva, está em constante mudança. Quando a gente revisita esse conteúdo depois de 15 anos a gente tem todas essas atualizações.”

A reabertura contará com a exposição permanente, além da mostra “Língua Solta”, com objetos das artes popular e contemporânea que têm relação com a língua portuguesa.

Para Calbucci, que foi curador da exposição “Menas – o certo do errado, o errado do certo”, no Museu da Língua Portuguesa, a reabertura promete agradar quem visitou o local antes do incêndio e os novos visitantes.

“Ainda que eu nunca tivesse tido nenhuma experiência profissional no museu, eu seria um profundo admirador. Eu espero que as pessoas que já foram gostem mais ainda dessa nova versão. E quem não foi, que tenha essa experiência. É o único museu que homenageia uma língua que existe no mundo. É muito legal que isso esteja no Brasil e em São Paulo.”

O professor de língua portuguesa e comentarista da CBN, Pasquale Cipro Neto, destaca a importância de o museu investir em conteúdos sobre o português falado em outros países e as variações da língua.

“O José Saramago disse com toda a sua autoridade: ‘Penso que não haja propriamente uma língua portuguesa. Há línguas em português’. Eu acho isso fantástico e o fato de o museu abranger tudo isso é muito importante. A língua culta sem dúvida é fundamental para as relações sociais, mas não é possível ignorar as outras manifestações e variantes.”

O embaixador de Portugal no Brasil e ex-presidente do Instituto Camões, Luis Faro Ramos, destaca que o museu reflete o passado, presente e futuro da língua portuguesa.

“É muito importante que haja um museu que reflete uma língua que tem passado, mas que tem sobretudo presente e muito futuro. Essa reabertura constitui uma grande oportunidade para celebrar aquilo que é a diversidade e a riqueza da nossa língua”

O museu contará com um sistema de combate a incêndios modernizado, além de um novo mirante e uma nova entrada integrada com a estação da Luz.


Fonte: CBN

Sobre O IILP

Objetivos fundamentais: a promoção, a defesa, o enriquecimento e a difusão da língua portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico, tecnológico e de utilização oficial em fóruns internacionais
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