CEM ANOS DE POESIA. A INFÂNCIA E A JUVENTUDE DE SOPHIA DE MELLO BREYNER

Os anos dourados da infância e juventude da poetisa maior da língua portuguesa, no ano em que se comemoram os 100 anos do seu nascimento.

Sophia, que dizia não gostar de registos biográficos, certa vez revelou:“A poesia foi-me oferecida na infância. A infância é uma reserva de criação inesgotável.” Recolhida nesta declaração, Sophia, a secreta, entrega-nos uma chave. Percorrer o território da infância e juventude daquela que se tornou a primeira mulher poetisa a ter lugar no Panteão Nacional é descobrir na essência da sua singularíssima personalidade o lugar de onde lhe vem a emanação da prosa.

Ficou selado desde o início. Ainda muito jovem estudante no Colégio Sagrado Coração de Jesus anotara na margem de um caderno de Latim: “É-me necessário escrever versos, é-me vedado saber porquê.” Quando, com apenas 14 anos, inaugurou a sua existência poética criando um mundo novo, Sofia já era Sophia.

“Nasci no Porto em pleno signo de Escorpião, no dia 6 de novembro, não sei a que horas. Tive sempre a impressão de me lembrar de quando estava no berço, numa claridade vaga, branca e suspensa, coada pelas cortinas de cassa branca do berço e pelas cortinas, também de cassa branca, das duas grandes janelas do quarto da minha mãe. Era um berço que tinha sido do meu bisavô Andresen, um berço alto de madeira, estilo Império, com uma cabeça de cegonha com um grande bico a segurar a cassa das cortinas.”

Cassa branca e claridade difusa nessa manhã chuvosa de novembro em redor de um berço da recém-nascida. Pouco passava das onze da manhã quando nascia Sofia de Mello Breyner de Andresen, com o nome próprio ainda sem o ph imprescindível na assinatura com que se tornará reconhecida, pois tem de ser registada nas regras da nova ortografia impostas pela República. Os acontecimentos que marcaram esse dia, contará mais tarde num pequeno registo de memórias guardado na Biblioteca Nacional, foram a visita do pai mal tinha sido arrumado o quarto, acompanhado dos seus cães de caça preferidos, que galgaram a escada em grande tumulto para a conhecer. Às cinco da tarde, será a vez do avô Thomaz subir a escada diretamente chegado do comboio que o trouxera de Lisboa, ansioso por conhecer a “querida neta” e já pronto para adorá-la.

Para ler o artigo na íntegra, clique AQUI.


Fonte: Vida Extra

 

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