FESTIVAL “SOL DA CAPARICA” HOMENAGEIA CESÁRIA ÉVORA

O festival mais lusófono de Portugal presta tributo à cantora cabo-verdiana Cesária Évora. Para homenagear Cize, “O Sol da Caparica” junta várias vozes da música de Cabo Verde na margem sul do rio Tejo.

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Cesária Évora: “embaixatriz da língua portuguesa”, “grande diva de craveira mundial”. Não faltam palavras para sublinhar a dimensão da cantora cabo-verdiana, a quem “O Sol da Caparica” rende homenagem no sábado, na quinta edição deste festival português. Os elogios são de Inês de Medeiros, presidente da Câmara Municipal de Almada, anfitriã do festival que tem lugar na Costa da Caparica, na margem sul do Tejo.

“A Cesária para nós não é apenas uma artista cabo-verdiana. Acho que para nós, portugueses, Cesária também já é um bocadinho nossa, se os cabo-verdianos me permitirem dizer isso. Portanto, acho que é normal, natural esta homenagem. Para mim é uma grande alegria, porque de facto tenho uma enorme admiração por ela”, conta Inês Medeiros.

Para Vítor Ramalho, secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), esta é uma homenagem “inteiramente justa e merecida” num festival tão multicultural.

“Ela era um símbolo e vai continuar a ser uma personalidade de referência, como é óbvio”, diz Vítor Ramalho.

Rui Miguel Abreu, jornalista da revista especializada em música, Blitz, lembra que Cesária Évora abriu muitas portas não só para a música cabo-verdiana, mas música africana em geral. “Se nós chegamos a este presente em que existe este respeito pelas grandes figuras da música africana é porque gente como a Cesária abriu a porta”, defende.

Por este andar, defende o especialista, a música feita em português pode ir mais longe, “porque o universo da língua é muito maior do que as fronteiras de Portugal ou de Cabo Verde ou ainda de qualquer outro país onde esta língua se fala”.

 

Homenagem merecida

Neste festival marcado pela diversidade, a língua portuguesa é a matriz essencial de união, como fundamenta António Miguel Guimarães, diretor artístico do “Sol da Caparica”, que foi empresário do grupo cabo-verdiano Os Tubarões, nos anos 80.

“O Sol da Caparica, desde que foi lançado, foi imaginado para ser um festival que, no fundo, trabalhe com a língua portuguesa e com os artistas oriundos dos países que têm a língua portuguesa como língua oficial, não excluindo as línguas nacionais, como o crioulo, e não excluindo a produção artística”, disse António Guimarães.

E se fosse possível, Carminho, uma das mais conhecidas vozes portuguesas do fado, património imaterial da UNESCO, gostaria de ter cantado uma morna com Cesária, confessou à DW. A fadista portuguesa também considera a homenagem oportuna.

“Eu acho que não podia ser mais feliz para um contexto destes haver uma homenagem em português à Cesária, que foi, de facto, uma grande artista”, disse.

Kapverden Sängerin Cesaria Evora

“Homenagem a uma cantora que é o expoente máximo da música cabo-verdiana. Projetou o país e há quem no mundo que passou a conhecer Cabo Verde por causa da Ciza. E outros que passaram a gostar de Cabo Verde também por causa da Ciza. Ela levou a morna a um outro e elevado patamar”, declarou o embaixador cabo-verdiano.

Cesária Évora revelou-se “uma mulher de uma grande simplicidade e de um enorme coração”, sublinhou o diplomata, que espera ver a morna em breve reconhecida como Património Imaterial da Humanidade. “A notoriedade mundial que obteve não ofuscou a sua sempre presente humildade. Continua a ser sempre o que sempre foi: uma mulher do povo e uma artista simplesmente extraordinária”, disse Eurico Monteiro.

Esta homenagem à “Cize do Mindelo”, como também era conhecida Cesária Évora, acontece no penúltimo dia do “Sol da Caparica”. O evento começou quinta-feira (17.08) e termina no próximo domingo, com a participação vários músicos conhecidos dos países de língua portuguesa, entre os quais Lura, Nancy Vieira, Elida Almeida, Lucibela, Djodje e Teófilo Chantre, o que, na perspetiva do embaixador cabo-verdiano, também revela um grande consenso à sua volta e o reconhecimento da grandeza de Cesária Évora”.


Fonte: DW

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