O QUE MUDOU COM O ACORDO DE COOPERAÇÃO PARA O ENSINO DO PORTUGUÊS EM FRANÇA?

Nas celebrações do 10 de Junho celebrado em Paris em 2016, o primeiro-ministro António Costa anunciava a aposta da difusão da língua portuguesa como uma oportunidade para os professores sem emprego.

Portugal tem hoje no ensino da língua portuguesa em França 89 professores contratados que acompanham mais de 13.000 alunos. Nas escolas públicas e privadas francesas, o Ministério da Educação dispõe de 240 professores que responde a uma procura por parte de mais de 18.000 alunos.
Alargar a presença do ensino de português em França foi a aposta conjunta do governo português e francês no acordo rubricado em julho de 2016.

«Quero aprender a língua portuguesa porque tenho origens portuguesas» contou-nos Laura Barriga, lusodescendente e aluna de português. Também Tomas Dupuis e Laura Crespo são lusodescendentes e partilham a mesma turma de português, aos sábados de manhā. O motivo comum destes alunos é o de poder comunicar com a família, como descreveu Laura Crespo: «A língua portuguesa pode servir-me para falar com a minha família portuguesa, mas também poder comunicar nos países onde se fala português».

Desde 2016 a língua portuguesa deixou se ser apenas uma língua de herança e somou uma nova função: a de língua estrangeira no ensino francês explicou-nos a Coordenadora do Ensino de Português em França, no Instituto Camões, Adelaide Cristovāo «temos 89 professores que lecionam português desde o primeiro ciclo até ao 12.º ano. A continuidade do primeiro ciclo para o segundo, terceiro ciclo e secundário é feita numa percentagem bastante reduzida por parte francês».

Entre 2016 e 2017 registou-se um aumento de cerca de 2.000 alunos matriculados na disciplina de língua portuguesa em estabelecimentos de ensino públicos e privados em França. Valores que só tendem a crescer confirmou Anne-Dominique Valières, inspetora-geral de português no Ministério da Educação em França. «Assistimos a um aumento enorme de alunos. Em 2001, por exemplo, 9625 alunos aprendiam português e no início do ano de 2016, tínhamos 18.183 alunos matriculados. Os números duplicaram em 15 anos e sei que este ano os números voltaram a aumentar. Os professores são 240 em França – e não conto os professores contratados por Portugal cuja gestão é feita de forma diferente».

Ana Lisete Carlos, 41 anos, é professora de português em Paris há um ano, no Instituto Camões, e confirma que a procura é cada vez maior. «Perante as minhas novas inscrições, sei que vou conseguir dar resposta a esses alunos. Há várias escolas onde este ano só tinha um grupo e para o ano serão dois. Nas escolas onde só tinha um grupo, tinha 17 ou 18 inscritos. Para o ano, terei 35 ou 36, quase o dobro».

Emma Rodrigues e Filipe Costa são alunos do 12.º ano e têm não só motivações afetivas para aprender português, mas também académicas. «Quero aprender português para ter mais pontos no exame nacional», explica Filipe Costa.

«Houve uma evolução fundamental na abordagem ao ensino de português em França, através da passagem do sistema para o EILE – Ensino Internacional de Língua Estrangeira – onde agora temos a grande maioria dos alunos da comunidade lusodescendente a aprender português», confirmou o Presidente do Instituto Camões, Luís Faro Ramos.

Em dois anos, a língua português passou a ser considerada como uma língua estratégica para França, um passo importante acompanhado pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro «na primeira visita que fiz ao país em janeiro de 2016, a língua portuguesa não estava a ser considerada como uma língua estratégica. Desde janeiro até julho, altura em que foi celebrado o acordo, deu-se um passo muito significativo».

Em França, o Instituto Camões está presente em 429 escolas, o que representa 13.500 alunos a aprender português, mas só na região de paris contabilizam-se 300 escolas e cerca de 9.000 alunos.


Fonte: TSF

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