Universidade afro-brasileira é reparação histórica de séculos, afirmam estudantes

 

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Na última sexta-feira (18), estudantes provenientes de Angola, São Tomé e Príncipe e de várias localidades do Brasil participaram da formatura da 2ª turma do Bacharelado em Humanidades, do Campus dos Malês da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).

Fabiana Gerlarde, é formanda. A carioca veio para o Recôncavo para cursar a Universidade. “A Unilab busca fazer uma reparação histórica de pelo menos três séculos e quebrar com uma hegemonia epistemológica do conhecimento ocidental. Estou muito feliz de me formar aqui e de ter acesso ao conhecimento construído coletivamente nesse espaço”, acredita.

A antropóloga e professora, Cristiane Souza, afirma que a Unilab, assim como a Universidade Federal de Integração Latino-Americana (Unila), vem sofrendo muitas restrições impostas pelo governo brasileiro. “Aqui na Unilab nós temos resistido com muito trabalho, buscando parcerias com várias entidades da sociedade civil”.

A professora conta também que há cerca de um mês os professores receberam um aditivo que indicava o corte de todas as bolsas para estudantes estrangeiros. “Se isso acontecesse acabaria com a base do projeto da Universidade, que é a integração internacional, porque a maioria dos nossos estudantes são estrangeiros dos países de língua oficial portuguesa, por isso exigimos que esse aditivo fosse cancelado, e depois de um amplo processo de mobilização conseguimos”, conta.

Elisa Gales, por exemplo, está há seis meses no Brasil. Angolana, Elisa veio cursar Licenciatura em Humanidades. “O mais difícil aqui é a saudade da família, mas como a integração entre os africanos e brasileiros é muito forte, isso ajuda a se acostumar com a distância”.

Elisa mora com duas amigas que vieram de São Tomé e Príncipe, também estudantes da Unilab. Sobre a graduação que está cursando, destaca que o fato de ser multidisciplinar e abranger várias áreas é muito positivo. “Acabamos conhecendo mais da nossa história, porque lá nos nossos países acabamos estudando muito a Europa e a América, e não estudamos a África. Mas aqui na Unilab estudamos a África”, afirma.

Já Sara Salvatera, que é de São Tomé e Príncipe, integrou a primeira turma que se formou na Universidade, em dezembro de 2016 e completou o bacharelado em humanidades. Agora ingressa no curso de História com ênfase em relações internacionais. Há três anos no Brasil ela também destaca a integração como uma das principais características da Unilab. “Estar longe da família é ruim, mas perceber que formamos uma família aqui é muito importante, além de ter acesso a uma Universidade de qualidade”, pontua.

O primeiro Campus da Unilab foi inaugurado em 2010, na cidade de Redenção, no Ceará. Já o Campus dos Malês, em São Francisco do Conde, começou a receber estudantes em 2014.

 

Fonte: Brasil de Fato – texto editado

 

 

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