CPLP/20 anos Membros têm de definir uma agenda comum – secretário-executivo

isacO secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) defendeu hoje que o futuro da organização lusófona passa por uma maior cooperação económica e empresarial e que os países devem definir a aposta para a próxima década.

Num momento em que se assinalam os 20 anos da criação da CPLP, é altura de olhar para o futuro e o secretário-executivo da CPLP, Murade Murargy, considera que a próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo — que deverá decorrer ainda este ano no Brasil – deve definir qual é a “agenda comum”.

“Parte-se do princípio que, tendo em conta que os fundamentos da criação da CPLP – a língua, a concertação político-diplomática e a cooperação técnica para o desenvolvimento -, são aspetos mais que consolidados, é preciso agora abranger novas áreas”, disse o responsável, em entrevista à Lusa.

Essas áreas podem ir desde o domínio económico e empresarial ao turismo e energia, passando pelo ambiente, agricultura, segurança alimentar e nutricional ou mares e oceanos.

“Os Estados têm de aproveitar todo o potencial que existe para poder reforçar a sua cooperação e a sua atuação em termos globais”, defendeu Murade Murargy.

Por outro lado, o plano económico e empresarial assume-se como um fator determinante para ajudar alguns países a ultrapassar problemas crónicos de pobreza e desemprego.

“Quem vai apoiar os governos [nessa tarefa] é precisamente o setor empresarial, criando emprego e que os jovens possam ter a sua inserção no mercado”, salientou.

A nova visão estratégica pretende também que a CPLP tenha uma agenda única e não várias agendas.

“Cada país pretender uma coisa da CPLP… não. O que é que os países querem da CPLP”, questionou o diplomata, sublinhando que essa é uma reflexão que deverá ser feita na próxima cimeira e que exige um ambiente de tranquilidade.

Murargy afirmou-se convicto de que o Brasil está empenhado na CPLP e está a “fazer grandes esforços para que a cimeira seja ainda este ano”, depois de este país não ter convocado a reunião de chefes de Estado e de Governo para julho, como é tradicional.

“O Brasil quer ter uma cimeira com um ambiente em que estejam todos em condições de falar sobre os problemas da CPLP e que os chefes de Estado possam discutir, em profundidade, a situação da CPLP após 20 anos”, referiu.

Um dos temas que deverá ser abordado no encontro é o da facilitação da mobilidade dos cidadãos lusófonos dentro do espaço da CPLP, uma realidade há muito reivindicada, mas ainda por concretizar.

“Todos [os países] estão sensíveis de que é preciso” avançar e os ministros da Administração Interna ou do Interior dos Estados-membros estão a trabalhar nesse sentido, disse o diplomata, para quem esta medida é essencial para o reforço da cidadania lusófona.

“Isso é um grande ganho para a nossa comunidade. É isso que vai permitir que o cidadão esteja próximo”, disse, exemplificando que estudantes ou investigadores de um país podem ir estudar, “sem entraves nem burocracias”, noutro país, ou que os empresários podem circular com facilidade e estabelecer parcerias conjuntas.

Murade Murargy alertou que todos os países devem ter em conta que “o homem é o motor de tudo” e, assim, “os governos devem dedicar grande parte das suas energias na educação, na saúde, no ambiente”.

Sobre o percurso da CPLP nos últimos 20 anos, o secretário-executivo disse acreditar que a organização lusófona “está consolidada” e está a tornar-se numa organização cujos Estados-membros e povos se “congregam para encontrar soluções para problemas que afligem os respetivos governos”.

A organização tem percorrido um trabalho “extraordinário” e hoje “tem uma palavra a dizer na arena internacional”, acrescentou.

Murade Murargy sublinhou que esta é uma organização “para sempre” e que nunca vai deixar de perseguir o objetivo final: “O bem-estar dos nossos povos”.

A CPLP foi criada a 17 de julho de 1996, integrando Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Após a sua independência, Timor-Leste aderiu em 2002 e a Guiné Equatorial entrou em 2014.

Fonte: Lusa

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