“O crioulo é a nossa língua, mas o português é o nosso instrumento”

images (6)O blogue do IILP reproduz a seguir uma entrevista especial do contador de estórias Germano Almeida ao jornalista Marco Carvalho, publicada no jornal Ponto Final.

Causídico ilustre, literato consagrado e figura de proa da cultura cabo-verdiana. Nome consensual das letras africanas de expressão lusófona, Germano Almeida prefere o epíteto de contador de histórias ao estatuto de escritor. Nascido na Boa Vista, o bom gigante das letras do arquipélago da morabeza reconhece que a arte de bem contar histórias está a perder-se, mas nem por isso lamenta a dialéctica e as transformações da história e da vida. O autor de “O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo” e de “A Ilha Fantástica” defende que o português deve ser valorizado em Cabo Verde como instrumento de ligação ao mundo, faz a apologia de um acordo ortográfico – “este ou outro” – e assegura que a pirataria e o roubo de propriedade intelectual não lhe roubam o sono. Germano Almeida em grande entrevista.

– Li algures que o Germano Almeida começou a escrever para exorcizar os medos. A motivação continua a ser a mesma?

G.A. – Não, nada disso. Agora escrevo mais pelo prazer de escrever, de contar histórias. Acabei por tomar consciência de que, efectivamente, sou um contador de histórias. Nunca me defino como escritor no sentido corrente, técnico, clássico do termo. Prefiro, digamos, muito mais a condição daquilo que eu aprendi com os mais velhos da minha terra: contar histórias pelo prazer de contar histórias, mas também pelo prazer de ouvir histórias às pessoas que nos são próximas. Na Boa Vista contavam histórias contadas, oralmente. Eu aprendi a contá-las através da escrita.

– Tem a noção de que eventualmente fará parte da última geração de escritores que tiveram o privilégio de ter este contacto com a oralidade. A tradição das histórias orais é um acto de socialização que parece condenado à extinção. O sentar-se à volta de uma fogueira a ouvir histórias ou, por esta altura, no norte de Portugal ao redor de um magusto ou de um monte de espigas, são rituais que moram cada vez mais no passado …

G.A. – Acredito que sim. Eventualmente farei parte dessa classe de contadores de histórias, digamos, em extinção. No caso da Boa Vista, eu costumo dizer, primeiro a luz eléctrica e depois a televisão deram cabo do nosso património cultural, na medida em que já não é possível voltar a essas situações. A luz eléctrica iluminou tudo, depois surgiu a televisão e acabou, não há mais esse hábito de se sentar à porta de casa e de contar histórias. Foi algo que desapareceu completamente.

– Custa-lhe, este desaparecimento?

G.A. – Não. Digamos que eu aceito perfeitamente a dialéctica, as transformações da história e da vida. Nada é igual a cada dia. Podemos é aproveitar e usar esses registos como história. Temos de ter consciência de que fazem parte da nossa história. Lamentar o que se perdeu não é o caminho. Aliás, o próximo livro que eu vou publicar, que é no fundo a continuação de “A Ilha Fantástica”, sobre a Boa Vista, é um bocado, na brincadeira, dizer que perdemos essas coisas. Na verdade não perdemos: acrescentámos outras coisas.

– O Germano Almeida advogado e homem de justiça entra, com alguma frequência, nas obras que escreve e, em alguns casos, de uma forma bastante acutilante, contradizendo até o causídico. Em “Os Dois Irmãos”, por exemplo, – e já o referiu várias vezes – há um fantasma que o acompanha durante vários anos …

G.A. – A minha profissão acompanha-me sempre. Faz parte de mim. Muitas vezes é mais acutilante ou menos acutilante, aquilo que eu escrevo, mas a verdade é que faz parte da minha idiossincrasia. Eu sou formado em Direito e ajo sempre em função disso, querendo ou não. Não é consciente. Ás vezes estou a escrever sobre Direito, mas mesmo quando estou a escrever ficção o direito acaba também – não digo por se sobrepor – mas por acompanhar.

– Cabo Verde está omnipresente na sua literatura de uma forma que se pode dizer corajosa. Uma das mais visíveis idiossincrasias de Cabo Verde passa por um equilíbrio entre o português e o crioulo. Passa por esta divisão, quase sentimental, entre a língua portuguesa e o falar das ilhas. Esta conjugação existe de uma forma muito natural nas suas obras …

G.A. – Eu costumo dizer que o crioulo é a nossa língua, mas o português é o nosso instrumento. Em Cabo Verde, muitos de nós temos a luta de fazer com que as pessoas aprendam bem o português. O crioulo não está em causa, mas o crioulo não nos leva às outras pessoas. A língua portuguesa é que nos faz estar com os portugueses, com os angolanos, como os brasileiros e com tudo o resto. Temos a obrigação de saber bem o português para podermos acompanhar bem esses outros. Infelizmente, em Cabo Verde, as novas gerações, sobretudo a seguir à independência, não tomaram muita consciência disso. Acredito que acabarão por tomar, porque a opção reflecte-se imensamente no ensino e na forma como os nossos estudantes começam a ser vistos no estrangeiro. Antigamente, o estudante cabo-verdiano era visto sempre como sendo um grande estudante. Neste momento não está a acontecer isto. Não está a acontecer isto porque não estavam a dominar a língua portuguesa.

– Mas há um desinvestimento no ensino do português?

G.A. – Não há desinvestimento na língua portuguesa. Há investimento na língua portuguesa, mas eu penso que deveria haver, da parte de quem nos governa, uma maior incentivo às pessoas. Nós somos dos poucos que dizem: “Nós precisamos do português. As autoridades funcionam com a língua portuguesa, publicam tudo em português, mas não há um alerta às novas gerações. Não há quem diga: “Cuidado, nós precisamos do português.” Este é o grande problema. É preciso mostrar aos jovens, às novas gerações a importância que o português tem para Cabo Verde. Ninguém está a dizer que o português é mais importante do que o crioulo. Pelo contrário. Agora, o português é o instrumento que nós usamos para contactar os outros e só usamos o instrumento se o aprendermos a utilizar bem.

– Ainda assim, o crioulo é, sobretudo, uma marca de identidade. É o grande instrumento da cabo-verdianidade …

G.A. – Ah, sem dúvida. O crioulo faz parte da nossa cultura e é por isso que eu digo que o crioulo não está em causa. A vida em Cabo Verde decorre em crioulo. O cabo-verdiano não é bilingue. O cabo-verdiano é monolingue, porque o quotidiano é feito em crioulo. Agora, temos de saber português, na medida em que o português é um instrumento de trabalho. Mas a vida em Cabo Verde decorre perfeitamente em crioulo.

– Este conceito, que começa a estar de novo em voga, de lusofonia… Diz-lhe alguma coisa? Ou continua a ser uma ideia nebulosa?

G.A. – Não sei se é uma ideia nebulosa. Confesso que nos primeiros anos de lusofonia, já lá vão muitos anos, eu fui muito esperançoso com a lusofonia. Acabei a pouco e pouco por desacreditar dela. Eu acho que há interesses dispersos que impedem a execução da lusofonia. Primeiro, o facto de Portugal estar na União Europeia. Por outro lado, o facto do Brasil estar no Mercosul. Depois, o facto de Angola e de Moçambique estarem noutras organizações . O facto de Cabo Verde também estar, de certa forma, com um pé na francofonia. Tudo isto impede que haja uma unificação da ideia de lusofonia. Não impede, por outro lado, a ideia – que eu acho utópica, bonita – de nós sermos sete países que têm uma língua comum. Aliás, é por isso que eu defendo, de certa forma algum acordo ortográfico, seja este ou outro. Nós temos de fazer um esforço para que tenhamos uma língua que possamos escrever do mesmo modo, sendo embora que essa língua deve servir para transmitir culturas diferentes…

– Quem lê os seus livros, mesmo com a presença de expressões em crioulo lá pelo meio, percebe perfeitamente o que lá está escrito. O acordo não será um artifício, nesse sentido?

G.A. – Eu não sei, de facto. A questão do acordo ortográfico tem dado tantas voltas, tantas confusões que nem sempre é fácil ser racional sobre isto. Aqui há tempos um jornalista perguntava-me o que é que eu achava sobre isto e eu disse-lhe: “Eu não acho nada. Nós não temos nada a ver com isto. Como escritores, a gente só espera que nos digam como se escreve tal ou tal palavra para que a gente a possa escrever”. Discutir porque o facto tem de ter “c” ou de não ter “c” é algo que não me incomoda. Eu posso gostar mais de facto com “c”. É um facto que eu gosto mais de facto com “c”, mas não vou transformar isto num cavalo de batalha.

– Convive bem com o estatuto de nome cimeiro da literatura de Cabo Verde? Não queria utilizar a ideia de pai do romance cabo-verdiano, mas convive bem com esse estatuto?

G.A. – Não. Isso é uma coisa que não me preocupa. Não penso, nem perco tempo a pensar nisso. É uma coisa que não me diz absolutamente nada, porque não perco um segundo a pensar nessa situação. Acho que são coisas que as outras pessoas dizem ou que as outras pessoas acham. Eu, pessoalmente, não acho de forma nenhum.

– Ainda assim, tem a noção de que se há um autor cabo-verdiano conhecido em Portugal ou uma obra conhecida em Portugal, essa escritor é Germano Almeida e essa obra será provavelmente “O Testamento do Sr. Napumoceno”. É uma obra que acaba por ser um marco da própria literatura africana em língua portuguesa …

G.A. – Exactamente. Mas isso acontece pelo facto de “O Testamento” ter tido a sorte de ser publicado em Portugal. Nós temos muitos livros que ainda não tiveram esta sorte. No dia em que tal acontecer, vamos ter muitos “Napumocenos” e vamos ter muitos livros a representar Cabo Verde. Eu considero estas situações sempre muito relativas. Um conjunto de circunstancias proporcionou que eu fosse publicado em Portugal. Eu tenho plena consciência disto. Em Cabo Verde é-se bom escritor , mas é-se bom qualquer coisa se em Portugal se disser que fulano de tal é bom escritor ou bom médico ou bom qualquer coisa. Fora disso, nós não temos ainda consciência da nossa realidade para dizer: “Não, ele é bom porque nós achamos que ele é bom”.

– A sua obra não se cinge apenas à cabo-verdianidade. Em “Eva”, por exemplo, recorre à história de uma mulher para, de certa forma, também recordar o seu percurso em Portugal e recordar o percurso de Portugal ao longo dos últimos quarenta anos. Marcou-o impreterivelmente, o facto de ter estudado em Lisboa?

G.A. – Aliás, não foi só o facto de ter estudado em Lisboa. A nossa convivência com Portugal é profunda. Os primeiros livros que eu li são livros de autores portugueses. Entre os escritores que eu mais admiro, encontra-se o Eça de Queiroz, de maneira que Portugal está muito presente em quase todos os meus livros. De alguma forma aparece a ideia de Portugal ou de um português, mas não quer dizer que eu faça questão disso. Acontece naturalmente na medida em que há sempre um personagem ou que viveu em Portugal ou que esteve em Portugal ou que é português. Na minha infância, também, havia alguns portugueses na Boa Vista: carpinteiros, pescadores e não sei quê, com quem não tínhamos boas relações. É essa gente que marcou a minha vida.

– Está radicado em São Vicente, mas a Boa Vista continua a ser a sua ilha. Grande parte da sua obra vai desaguar na Boa Vista e sem falarmos necessariamente no realismo mágico que caracterizou durante muitos anos a literatura sul-americana, há ali uma certa magia. Parece que a Boa Vista brota de um outro mundo, mas que as personagens que cria podem muito facilmente estar à espera do leitor na ilha que o viu nascer …

G.A. – Noutros tempos, eventualmente. Como sabe, a Boa Vista é uma realidade mágica. A minha Boa Vista, pelo menos. Eu escrevia muito aquelas histórias antes de ter lido o Gabriel Garcia Marquez e eu dizia para mim mesmo: “Estas histórias são impublicáveis. Todo o mundo vai dizer que eu sou doido.” Só depois de ler Garcia Márquez, com as suas loucuras, entre aspas, é que me convenci: “Ah, afinal eu posso publicar “A Ilha Fantástica”. Eu costumo dizer que eu saí da Boa Vista, a Boa Vista não saiu de mim. Considero-me, ainda hoje, um homem da Boa Vista. Eu gosto muito de São Vicente. Estou em São Vicente com à vontade e as pessoas de São Vicente também gostam de mim. Eu conheço bem São Vicente e tenho escrito muito sobre São Vicente, mas continuo a encarar São Vicente como um estranho. Estou em São Vicente como uma pessoa estranha: uma pessoa que está muito bem, mas que não faz tudo para se sentir em casa. Isto permite-me ter uma capacidade de observação sobre São Vicente que, muitas vezes, um natural de São Vicente não tem.

– De que forma é que a insularidade, ainda hoje – 40 anos depois da independência de Cabo Verde – se reflecte naquilo que é Cabo Verde e naquilo que são os cabo-verdianos. A divisão entre Barlavento e Sotavento é uma divisão que é só geográfica ou há uma divisão de cariz emocional? Falamos de um arquipélago? Ou de ilhas de um arquipélago?

G.A. – É verdade que nós temos dois grupos de ilhas – Barlavento e Sotavento – que nos anos anteriores à independência ficavam afastadas, absolutamente afastadas umas das outras, com um conhecimento muito deficiente uns dos outros. Neste momento – aliás isto começou progressivamente após a independência, com as relações e contactos entre as ilhas, com os aviões a movimentarem-se – eu costumo dizer que já é possível tomar o pequeno almoço em Santo Antão, almoçar em São Vicente e jantar na praia. As ilhas ficaram próximas uma das outras, tal como Cabo Verde ficou próximo do mundo. Mesmo em relação aos nossos imigrantes, a “terra longe” desapareceu. Antigamente, por exemplo, nós tínhamos a ideia de que um emigrante quando partia era para sempre. Ele ia, nunca mais regressava, porque não tinha tempo: a viagem era de barco, ele levava quinze dias para vir de barco e era o tempo de férias que ele tinha. Agora não. Agora, digamos, da América para São Vicente ou para Cabo Verde sai num dia, volta no dia seguinte. É mais fácil. A ideia que nós tínhamos, a “terra longe”, que levava a nossa gente, desaparece. Com a chegada dos meios de comunicação em formato digital – com o telefone, com o correio electrónico – é como se nós tivéssemos ilhas mais afastadas umas das outras, mas só são ilhas, porque o cabo-verdiano ficou cada vez mais perto de Cabo Verde.

– Foi sempre muito crítico, sobretudo durante o período de partido único, das vicissitudes políticas de Cabo Verde. Ao longo das últimas décadas, Cabo Verde tem mostrado ao mundo que uma outra África é possível, digamos assim. Ainda assim, permanecem alguns problemas e mantém um papel crítico bastante arreigado. Também é para isso que os escritores servem?

G.A. – Não. Eu penso que não é uma questão de missão. É uma questão de olhar a realidade e de não se cingir a ela. Se sinto a necessidade de criticar, critico. Eu em Cabo Verde tenho um estatuto um tanto ou quanto interessante, porque tão depressa me dizem que eu sou do PAICV, como dizem que sou do MpD. Isto porquê? Porque, se de facto, o PAICV faz coisas que me agradem, eu digo logo: “Está bem”, mas se o PAICV faz coisas que estão mal, eu digo que estão mal. Com o MpD funciono na mesma medida. Reconheço que ideologicamente sou mais próximo do PAICV do que do MpD, agora nunca pertenci. Aliás, pertenci curiosamente ao MpD, nunca ao PAICV, mas nunca me interessou a política como um combate estéril. Aliás, eu estive algum tempo no MpD porque achava que era necessário trabalhar para imposição do pluripartidarismo, mas eu nunca tive fibra para ser militante do partido, porque nunca convivi bem com a ideia de ter que dizer “sim”, quando eu acho que devo dizer “não”. De maneira que acho que encarno em mim sempre um conflito com os partidos. Sempre que eu achar que um tal situação é criticável, eu criticarei. É evidente que o Cabo Verde de agora não tem nada a ver de há 40 anos.

– Nesse sentido, 40 anos depois da independência, Cabo Verde é um país promissor? É um país de futuro?

G.A. – Sim. Cabo Verde soube gerir bem as ajudas internacionais que nos deram . Neste momento, as ajudas são poucas, começam a escassear e há algumas necessidades prementes. Eu critico o partido que está no poder, que é o PAICV, porque há uma certa megalomania à volta de Cabo Verde. Eu costumo dizer que não podemos esquecer que Cabo Verde é uma país pequeno, sem recursos. Eu às vezes até digo na brincadeira: “Cabo Verde não é um país a sério”. Temos de ter consciência, temos de ter dimensão da nossa realidade e não extravasá-la, não extrapolar. Temos de ter consciência de que tem tudo de ser gerido muito bem e tem que ser gerido como uma casa de família. Quando gerimos Cabo Verde como se gere Portugal, como se gere a Alemanha e aí por adiante, aí temos que falhar. Eu, por exemplo, ando a insistir: temos que mudar a organização política do Estado. A que temos não nos serve.

– Em que sentido? Que mudanças seriam bem vindas?

G.A. – Por exemplo, temos um Presidente da República eleito por sufrágio universal para ter os poderes que tem. Não faz sentido. Faria sentido se Cabo Verde tivesse um regime presidencialista. Não sendo, o chefe de Estado devia, portanto, ser eleito pela Assembleia Nacional, que o processo é muito mais fácil e muito mais barato. Por outro lado, a divisão administrativa entre autarquias locais e regiões estaduais faz sentido, num país de 500 mil habitantes e quatro mil quilómetros quadrados? Na minha opinião não faz sentido. Então, eu digo assim: “Temos que parar e sem preconceitos ir analisar o que podemos fazer para modificar o nosso país.”. Temos de criar uma estrutura que nos sirva efectivamente. Que sirva esse país pequeno e sem recursos.

– Traduzido em mais de uma dezena de línguas. Publicado, também, em mais de uma dezena de países. Faz questão de dizer que a magia, para si, pertence às palavras, não pertence aos números. Ainda assim, o tal miúdo que começou a escrever aos 16 anos para afastar os fantasmas de um remoto naufrágio, algum dia imaginou que as histórias que escreve o poderiam levar a Macau e a um pouco por todo o mundo?

G.A. – O problema é o seguinte. Muitos livros que eu publiquei, já os tinha escrito há muito tempo. Sempre escrevi sem a ideia de publicar. A publicação veio por acaso, mas não dou uma grande importância a isto. Continuo a pensar: “Eu sou advogado, eu ganho a minha vida como advogado”. Não me importo nada que as pessoas façam edições piratas dos meus livros. Estejam à vontade.

– Uma posição surpreendente, sendo Germano Almeida advogado …

G.A. – Sobretudo por ser advogado é que eu digo. Façam à vontade. Não é algo que me coloque grandes preocupações. Em Cabo Verde repare , o livro não dá para viver, de maneira que as pequenas quantias que eu poderia ganhar com o livro, não me vao fazer enriquecer, nem me vao tirar a canseira. Há tempos pediram-me para permitir a publicação de um texto na revista da universidade americana de Harvard. Mas mandaram-me dizer que normalmente não pagam, dado que é uma honra ser-se publicado pela revista. Eu disse-lhes: “Eu não considero essa honra. Posso dar-vos de graça, porque para Cuba também dou de graça e, portanto, podem usar à vontade que eu não tenho problemas”.

– O que podemos esperar de Germano Almeida nos próximos tempos?

G.A. – Não faço a mais pequena ideia, sabe? Eu nunca faço planos para o dia seguinte. Não tenho a certeza do momento presente, quanto mais do amanha.

– Mas há obras na forja?

G.A. – Tinha uma obra na forja que vai sair no próximo mês em Portugal e em Cabo Verde, mas depois disso não tenho nada. Mas pode acontecer …

– Dizia que a escrita já não é em si um ritual de exorcismo, que escreve por prazer. Nesse sentido, é uma prática diária? Escreve todos os dias? Em que circunstancias escreve?

G.A. – Não, não é uma prática diária. É quando nos dá na cabeça. Por exemplo, se eu tenho uma história para contar, eu sento-me e escrevo. Se não tenho uma história não invento. Não fico frente ao computador à espera. Não. Tenho outras coisas – apetece-me dizer – mais interessantes a fazer, porque a vida está cheia de coisas interessantes que a gente pode fazer. Eu não desespero pelo facto de não estar a conseguir escrever. Se eu não consigo escrever, é porque não tenho nada para contar. Portanto, não é algo que me tira o sono.

– Esta Macau que encontrou e que está tanto nos antípodas da sua Boa Vista natal, tem qualidades cénicas, ficcionais – ou seja lá o que for – para figurar numa crónica ou num livro de Germano Almeida?

G.A. – Numa crónica penso que sim. Num livro não sei. De qualquer forma, o processo não é imediato. Tenho de sair daqui e só depois é que esta passagem vai efabular na minha cabeça, na minha consciência e só depois saberei o que pode sair daqui.

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Objetivos fundamentais: a promoção, a defesa, o enriquecimento e a difusão da língua portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico, tecnológico e de utilização oficial em fóruns internacionais
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