Falta de documentos em português continua a prejudicar países africanos lusófonos da CEDEAO

cedeaoA falta de documentos em língua portuguesa continua a prejudicar os países africanos lusófonos, membros da Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), nomeadamente à Guiné-Bissau e Cabo Verde.

Essa foi a constatação de vários intérpretes da língua portuguesa, no âmbito de formação sobre a Iniciativa de Prontidão para Catástrofes na África Ocidental, destinada à Guiné-Bissau.

Em declarações à PNN, Lucien Ekoe Ayi, de nacionalidade togolesa e um dos intérpretes presentes, disse que esta lacuna prejudica muito as delegações dos países falantes do português nos vários encontros internacionais organizados pela CEDEAO.

O intérprete sublinhou que para estes tipos de encontros os documentos não são sempre traduzidos em português, e, por isto, os responsáveis técnicos dos países lusófonos não participam ativamente nas discussões e nas propostas dos documentos finais, que são adotados nas reuniões a nível dos estados membros da organização sub-regional.

Para Hope Bediako, de Gana, é necessário ter consciência dessa situação, que continua a afetar negativamente os países de expressão portuguesa, membros da CEDEAO. “Eu tenho consciência do problema, porque sem documentos em português e com falta de intérpretes, não é possível traduzirmos os textos em português nos encontros dos estados membros da CEDEAO. 

Segundo o antigo funcionário da Organização Oeste Africana da Saúde (OOAS), onde desempenhava igualmente as funções de intérprete, na OOAS os documentos já estão sendo traduzidos  para português.

Como forma de fazer avançar a língua no bloco regional, Bediako disse que o Governo do seu país, através de Instituto de Língua do Gana, instituiu já nesse ano letivo, a atribuição do prêmio do melhor aluno de língua portuguesa em Acra. “Neste momento estamos a levar a cabo uma campanha a favor da língua portuguesa, pois já apresentamos um dicionário em português para que o melhor aluno seja premiado pelas autoridades do ensino superior do Gana”, disse.

Ele disse ainda acreditar que se tudo correr como previsto, daqui em frente esta situação pode ser ultrapassada, com cidadãos dos países anglófonos a se integrarem no processo de tradução de textos para português nas reuniões da CEDEAO.

Jide Falabi, de nacionalidade nigeriana,  informou que as delegações dos países lusófonos presentes nos encontros da CEDEAO, ao invés de utilizarem uma das línguas oficiais da organização, o português, preferem usar o francês ou inglês, deixando de lado os seus direitos enquanto Estados Membros da organização. “Esta situação faz parte das dificuldades que os tradutores de português encontram nas reuniões da CEDEAO, porque quando chegamos lá, não encontramos documentos traduzidos em português”, disse.

Falabi alertou  que  as delegações lusófonas voltam para os países de origem sem documentos traduzidos em português, colocando em causa os ganhos desses encontros.

O evento que decore desde 13 Julho do corrente ano, com datas intercaladas para cada país, no Centro Internacional de Manutenção da Paz Kofi Annan, em Acra,  no Gana, tem como  finalidade melhorar a coordenação das emergências nos momentos de desastre incêndio, inundação e mais situações de emergência.

Em julho  de 2012, ocorreu  o Colóquio Internacional “O Português nas Organizações Internacionais”, por iniciativa  do IILP – Instituto Internacional da Língua Portuguesa, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores de Angola. O evento teve como objetivo analisar formas de colaborar, cientifica e tecnicamente na materialização  do uso efetivo da língua portuguesa nas Organizações Internacionais. Do Colóquio, resultou A Carta de Luanda, acesse aqui , e  a Revista Platô, número 4.

large-939340-1Os textos apresentados na Platô, Revista do Instituto Internacional da Língua Portuguesa,  colocam em evidência a gestão da língua por instituições como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Fórum de Macau, a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) ou o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e tratam de iniciativas que vêm sendo implementadas em âmbitos regionais e por agências especializadas para a valorização do português, em particular e do multilinguismo em geral. São reveladores da visão que cada organização tem sobre o valor da língua como ativo diplomático e econômico, bem como das diferentes estratégias que cada uma desenvolve. Acesse a revista, clique aqui

Fonte Colaborativa: PNN Portuguese News Network –  Sumba Nansil, Acra Gana

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Sobre O IILP

Objetivos fundamentais: a promoção, a defesa, o enriquecimento e a difusão da língua portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico, tecnológico e de utilização oficial em fóruns internacionais
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