Multilinguismo na Rússia e nos países de Língua Portuguesa marca início do Colóquio

Imagem com tituloArrancou , nesta quarta-feira (15), o Colóquio “A Língua Portuguesa, o multilinguismo e as novas tecnologias das línguas no século XXI”, no Auditório do Campus II do CEFET-MG, em Belo Horizonte. Após uma breve abertura, que contou com a presença da diretora executiva do IILP, Marisa Mendonça, o vice-presidente do Comitê “Informação para Todos” da UNESCO na Rússia, Evgeny Kuzmin, deu início à primeira conferência do evento, intitulada “A diversidade e as novas tecnologias no quadro das grandes negociações globais sobre as línguas”.

Por meio de tradução simultânea (russo-português), o público pôde acompanhar a fala de Kuzmin sobre os projetos da UNESCO em relação à preservação e promoção das línguas. Incialmente, ele explicou o que é e como atua o Comitê “Informação para Todos” da UNESCO. Segundo Kuzmin, é um programa entre diferentes governos para estudar as várias áreas relacionadas às línguas usando um método interdisciplinar. Nesse sentido, as questões são debatidas em dimensão política, social e cultural, o que demanda uma compreensão ampla e uma solução em âmbito global e regional.

Em seguida, Kuzmin falou sobre a questão do multilinguismo na Rússia, onde há 142 milhões de habitantes falando 180 línguas. Existe, no entanto, uma predominância do russo, falado por 117 milhões de pessoas. Dessa forma, segundo o vice-presidente do Comitê “Informação para Todos” da UNESCO na Rússia, um terço das línguas faladas na Rússia estão sob ameaça de extinção.

Por fim, Kuzmin lembrou as três conferências internacionais “A Diversidade Linguística e Cultural no Ciberespaço” realizadas em Yakutsk (Sibéria), na Rússia, e a criação da “Declaração de Yakutsk sobre a Diversidade Linguística e Cultural no Ciberespaço” ao fim da edição deste ano.

Multilinguismo nos países de Língua Portuguesa

Ainda pela manhã, a segunda conferência do Colóquio “A Língua Portuguesa, o multilinguismo e as novas tecnologias das línguas no século XXI” foi feita pelo ex-diretor do IILP e atual assessor do Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Políticas Linguísticas (IPOL), professor Gilvan Müller de Oliveira.

Já de início, Gilvan fez uma distinção entre multilinguismo e plurilinguismo: “Multilinguismo é só o fato de haver muitas línguas em um território; já plurilinguismo é tomar partido dessa diversidade linguística no sentido de preservar e difundir essa pluralidade de línguas”.

Em seguida, o professor apresentou a diversidade linguística nos nove países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste). Segundo Gilvan, hoje o Brasil representa 76% dos falantes do português, mas, em 2100, esse número vai cair para 45%, em razão do de créscimo populacional brasileiro. “Angola e Moçambique vão aumentar suas populações e, consequentemente, os falantes de português. Com isso, no Cone Sul da África e no Brasil, estarão o maior número de falantes de português do mundo”, disse.

 Gilvan ressaltou ainda a importância de se cumprir as recomendações da Carta de Maputo e de duas políticas linguísticas para o multilinguismo, a cooficialização de línguas em nível municipal e o inventário nacional da diversidade linguística. Por fim, o professor sinalizou a importância de se incluir no Censo Demográfico brasileiro de 2020 uma questão acerca da língua falada por cada cidadão, de modo a mapear as línguas existentes no País.

Palestra aborda o tratamento das línguas em computador

Dando continuidade ao Colóquio “A Língua Portuguesa, o multilinguismo e as novas tecnologias das línguas no século XXI”, o período da tarde contou com a palestra “As novas tecnologias das línguas no século XXI”, com Cláudio Menezes, da UnB. O professor abordou, especificamente, o tratamento das línguas em computador e a internet multilíngue.

Segundo Cláudio, para haver inclusão de uma língua no mundo digital é necessário desenvolver quatro pontos específicos: recursos linguísticos; recursos de tecnologia de informação; conteúdo cultural; e comunidade de usuários (em nível, local, nacional e mundial). “A internet não tem território, é extraterritorial, um domínio multilíngue. Por isso, precisamos assegurar a presença de línguas ausentes no ciberespaço e ampliar a presença daquelas já presentes”, defendeu.

 Cláudio Menezes deu ênfase ainda a programas afeitos à linguística de computação, como verificadores das linguagens, buscadores na web, interação por fala, tradução e sumarização automáticas, dando exemplos de softwares já utilizados no Brasil e no mundo. O professor mencionou o bacharelado em Línguas Estrangeiras Aplicadas ao Multilinguismo e à Sociedade da Informação (LET-MSI), da UnB, onde é professor, como uma iniciativa de vanguarda na área de Letras e Linguística.

Fechando as apresentações do primeiro dia do Colóquio “A Língua Portuguesa, o multilinguismo e as novas tecnologias das línguas no século XXI”, realizado no CEFET-MG, Belo Horizonte, a coordenadora-geral do Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL), professora Rosângela Morello, apresentou a palestra “O multilinguismo e o pré-projeto de um atlas das línguas da CPLP”

Já de início, a professora justificou a criação de um atlas das línguas nos países de Língua Portuguesa. “Essa proposta está descrita na Carta de Maputo, é uma das recomendações descritas: ‘O desenvolvimento, em articulação com os Estados Membros, de um projeto para inventariação sistemática das línguas do espaço da CPLP, nomeadamente através de um Atlas, com o objetivo de as identificar e de avaliar a situação de cada uma no seu território de uso’”, disse.

Ainda de acordo com Rosângela Morello, a construção de um atlas seria uma excelente oportunidade para revisitar os parâmetros de identificação de línguas e gerar novos e inovadores padrões mais horizontais e condizentes com a atualidade.

O evento continua nesta quinta-feira, 16. Confira a programação.

Acompanhe o Colóquio ao vivo pelo endereço http://goo.gl/pmpWPv.

 Fonte colaborativa : Assessoria de Imprensa do CEFET – André Silva
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Sobre O IILP

Objetivos fundamentais: a promoção, a defesa, o enriquecimento e a difusão da língua portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico, tecnológico e de utilização oficial em fóruns internacionais
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